Publicado por: Gladis Maia | 21/04/2009

Estudos comprovam que os bebês no mundo todo se expressam da mesma forma.

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 Gladis Maia 

 

Um esquilo criado em isolamento em relação à sua espécie, e sem oportunidade alguma para aprender como se enterram nozes, empenhar-se-á, apesar de tudo,em cavar um buraco e em enfiar uma noz no chão na primeira vez que encontrar uma ou algum objeto que se pareça com uma noz. Tentará realizar esse padrão de ação-fixa, mesmo em circunstâncias muito adversas, como um piso de linóleo. Roger Brown, in O Desenvolvimento da Linguagem na Criança.

 

Estudos de campo realizados na Inglaterra, Estados Unidos, Quênia, França, México, Rússia e s outros países dão conta de que as crianças quando começam a falar não se limitam, simplesmente, a memorizar as frases que ouvem outras pessoas falar.

A fala das crianças é a mesma, em alguns aspectos, em qualquer parte do mundo, como se o ato da fala possuísse algumas propriedades e fases universais em seu desenvolvimento.

Elas costumam extrair da fala das outras pessoas um conjunto de regras de construção, que as habilitam a produzir uma quantidade infinitamente numerosa de novas frases, que serão corretamente entendidas em sua comunidade lingüística.

As crianças normais aprendem a fazer entre os 18 meses e os 5 anos de idade. As indicações mais claras de que elas estão aprendendo regras de construção encontram-se nos erros que cometem nas suas falas cotidianas.

Num desses estudos do desenvolvimento da linguagem na infância, o pesquisador Benny Blount visitou uma província do Quênia, Nyanza, onde cerca de um milhão de pessoas falam o Luo.

No princípio da coleta, após 54 visitas, de meia hora ou mais, obteve apenas 200 frases com as crianças estudadas, quando era possível obter de qualquer outra criança em outros países muitas centenas de locuções em cerca de meia hora…

Posteriormente veio a descobrir que se tratava de uma questão de educação daquele povo; lá é exigido que as crianças pequenas fiquem caladas quando os adultos visitam seus lares e as crianças visitadas tinham dificuldades de se livrar de sua etiqueta, apesar de seus pais as intimarem a falar com o “europeu” visitante.

Felizmente, ao final, Blount pôde aprender bastante sobre a fala das crianças de Nyanza, e o que aprendeu, com a língua Luo, em sua maior parte soou familiar para ele e os demais estudiosos da fala infantil, em estudos relacionados com crianças que estavam aprendendo línguas sem qualquer relação histórica ou geográfica com Nyanza.

É o caso do Eu fazo! Pensem bem, se o verbo diz tu fazes, ele faz, nós fazemos, seria natural que fosse correto como a criança pequena fala.O verbo é que é irregular! Ao usarem tal forma estão corrigindo a irregularidade da língua e demonstrando incidentalmente que estão aprendendo regras gerais de construção.

Exemplos deste gênero são comuns e são uma das coisas interessantes de se observar nas escolas de Educação Infantil e nos lares.

Faltam na Fase 1 da aprendizagem da fala, as palavras funcionais – mesmo em contextos onde elas são obrigatórias na linguagem adulta – quer se trate do Filandês, do Inglês ou do Samoano.

Nesta fase a fala é sempre de conteúdo e formada principalmente de nomes e verbos. Cerca de 75% das frases parecem expressar, em qualquer língua, um limitado conjunto de operações e relações semânticas de: DENOMINAÇÃO, INSEXISTÊNCIA e RECORRÊNCIA.

A Denominação envolve a atribuição de nome a um referente, quando o próprio referente está presente e também a articulação de alguma palavra indicativa, como: Olha! (diz apontando algo); O cachorro! .

A relação de Inexistência expressa o desaparecimento ou o não-aparecimento de algum referente : Cachorro acabou!

A Recorrência solicita o reaparecimento de um referente: Mais cachorro!

Depois temos as relações de lugar, posse e atribuição:Boneca cadeira!, para expressar que a boneca encontra-se sobre a cadeira; Vestido mamãe!

Desde cedo a criança aprende que certos objetos e espaços pertencem a alguém. Bala boa!, dando o valor de um atributo.

Também existem as relações Agente-Ação, Ação-Objeto e Agente-Objeto: Mamãe costurando; Papá mamãe; Vovô carro!.

As operações semânticas e as relações estruturais do significado da maioria das frases da Fase 1 se prestam ao sucesso prático, em todas as línguas, numa ordem relativamente fixa.

É como se a coisa mais óbvia para a criança a respeito de uma pessoa e de uma coisa fosse para a criança a sua interação.

A Denominação envolve a atribuição de nome a um referente, quando o próprio referente está presente e também a articulação de alguma palavra indicativa, como: Olha! (diz apontando algo); O cachorro! .

A relação de Inexistência expressa o desaparecimento ou o não-aparecimento de algum referente : Cachorro acabou! A Recorrência solicita o reaparecimento de um referente: Mais cachorro!

Depois temos as relações de lugar, posse e atribuição:Boneca cadeira!, para expressar que a boneca encontra-se sobre a cadeira; Vestido mamãe!

Desde cedo ela aprende que certos objetos e espaços pertencem a alguém. Bala boa!, dando o valor de um atributo. Também existem as relações Agente-Ação, Ação-Objeto e Agente-Objeto: Mamãe costurando; Papá mamãe; Vovô carro!. As operações semânticas e as relações estruturais do significado da maioria das frases da Fase 1 se prestam ao sucesso prático, em todas as línguas, numa ordem relativamente fixa.  

A razão mais importante para se pensar que a criança pretende estabelecer relações é o fato de suas palavras serem produzidas numa certa ordem e que essa ordem é quase sempre apropriada à relação sugerida pelo contexto não-lingüístico.

 Por exemplo, se um gato está mordendo um cachorro ela não dirá: Gato morde cachorro! ; mas Gato morde!; ou Morde cachorro!; ou Gato cachorro!. Mas, se os papéis estivessem invertidos: Cachorro morde gato!; diria ou Cachorro morde!; ou Morde gato !; ou Cachorro gato!.Como diz Roger Brown, na epígrafe deste artigo, talvez o uso da linguagem para a espécie humana seja o que é enterrar nozes para o esquilo! Pensem nisso! Namastê!

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