Publicado por: Gladis Maia | 31/01/2010

Não se iluda, entre educadores e pais também encontramos pessoas despreparadas e até sádicos, brutos e irresponsáveis.


Gladis Maia

A Declaração dos Direitos da Criança, aprovada pela ONU  em 1959, garante, em seu princípio 7, que a criança tem direito a receber a educação escolar gratuita e obrigatoriamente.

Explicita também que esta educação deve favorecer a sua cultura geral e lhe permitir, em condições de igualdade de oportunidades, desenvolver suas aptidões, sua individualidade e seu senso de responsabilidade social e moral, para tornar-se um membro útil à sociedade.

Reza que o interesse superior da criança deverá ser o interesse diretor daqueles que tem a responsabilidade por sua educação e orientação.

E descreve ainda que a criança deve desfrutar plenamente de jogos e brincadeiras, os quais deverão estar dirigidos para a educação.

Como vimos, o respaldo legal existe, garantindo às crianças uma série de direitos que, se fossem cumpridos à risca, nos fariam a todos felizes.

Infelizmente temos muito ainda que lutar para que a lei saia do papel e torne-se realidade palpável, para todas as crianças deste nosso imenso país.

Para que nenhuma criança precise mais trabalhar. Para que nenhuma criança precise perambular pelas ruas, sem casa, sem família.

Para que nenhuma criança seja maltratada por nenhum adulto, inclusive por seus pais.

Para que todas as crianças possam ter saúde, alimento e brinquedo.

Para que todas as crianças freqüentem uma Escola da qual se orgulhem e pela qual se apaixonem.

Toda criança deve ter o direito de viajar, de vez em quando, pelo mundo do sobrenatural.

Toda criança deve ter o direito de acreditar no impossível, exigir dela somente a crença no possível é uma forma de bloquear sua criatividade e por conseqüência sua inteligência. É uma forma de lhe tirar a confiança e de impedi-la que tenha fé.

É preciso que aceitemos que toda criança tem direito de viver as suas fantasias. O mundo da fantasia é o reino da criação. Suas fronteiras vão muito além dos limites dos sentidos e sua lógica é diferente daquela que governa a razão.

Percebe-se que, à medida que os anos passam, cresce a distância entre as exigências do adulto e os desejos da criança. Os adultos sisudos não se dão conta de que a criança que está fantasiando, misturando a realidade com o irreal, está fazendo o uso mais intenso e ousado da criatividade.

No mundo dos seus sonhos, ela  consegue criar novas harmonias, inventar seus próprios caminhos e assim apurar sua sensibilidade,  podendo com isto até alheiar-se da dor que sente pela falta de atenção que recebe, pelas deficiências de sua educação, em casa e na escola,e mesmo pelo excesso de inutilidades despejadas sobre sua cabeça, com o pretexto de a educar.

Ela precisa ter este direito assegurado para ser realmente uma criança, só deste modo ela poderá caminhar para a sua realização como pessoa.

Muitos professores e pais– provavelmente alguns até bem intencionados, mas equivocados –  procuram traços de caráter e valores que lhe parecem valiosos e desejam moldar todas as crianças num padrão único.

Como reação, as crianças acabam trilhando um dos dois caminhos: ou adotam sinceramente suas sugestões; ou acabam fingindo sujeitar-se aos dogmas desejáveis apresentados, só não sabemos por quanto tempo …

Mas, lembrem-se, quanto maior o esforço que uma criança faz para assumir uma máscara ou submeter-se à influência dos pais ou professor, tanto mais tempestuosa será sua reação quando cansar de fingir, mesmo que inconscientemente.

Nesta ciranda de faz de conta – no mau sentido, forjando-se individualidades – há pais e professores que fazem de tudo para ocultar seus próprios defeitos e atos condenáveis. Fingem-se de santos . A criança não tem permissão para criticá-los, de forma alguma. Só ela pode ser desnudada e exposta ao castigo. Exigem-lhe que respeite automaticamente aos mais velhos, aos mais experientes, em vez de se lhe ser dado o exemplo correto e o direito de julgá-los pelo que valem.

O tal respeito, de carteirinha por idade,  na verdade acaba facultando-lhe, incentivando, que os adolescentes inescrupulosos dominem os menores,  através da persuasão e de pressões, isto pode acontecer tanto na família,  como na Escola …

Os professores muitas vezes se cansam da vida agitada, barulhenta e instigante da criança, com os seus mistérios, suas perguntas e   perplexidade diante de suas descobertas e tentativas, muitas vezes mal sucedidas.

O educador acaba não vendo os esforços que certa criança faz para preencher, cuidadosamente, uma folha de papel e limita-se a constatar,  friamente,  que tal trabalho executado por aquela criança não é bom, não é bem feito, não está certo….

O declínio do trabalho deste tipo de educador percorre muitas vezes, a seguinte trajetória: menosprezo, desconfiança, suspeita, espreita, flagrante repreensão, acusação, castigo e proibições, cada vez mais rigorosas ….

Não nos iludamos, entre os educadores e pais, como em qualquer outra função ou atividade, encontramos os sádicos, os brutos, os irresponsáveis, os que fazem filantropia, os mal intencionados, os mal preparados, enfim, uma lista enorme de tipos, sendo que entre eles estão, felizmente, os capazes e os bons pais e bons profissionais.  Espero que você que me lê seja um deles, ou pelo menos tente sê-lo. Reflita sobre isso! Namastê!

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