Publicado por: Gladis Maia | 30/01/2010

A ética da diversão substituiu a ética puritana que durante séculos orientou as pessoas no mundo

52
por Gladis Maia

O puritanismo era um credo rígido que desencorajava qualquer frivolidade. O puritano estava comprometido com a obra do Senhor, o que na prática queria dizer ser produtivo.

Proibia os jogos de carta, os bailes, as roupas deveriam ser sóbrias e as pessoas deviam manter-se à uma certa distância respeitosa, entre outros ditames…

Criar os filhos naquela época era bem mais fácil, haviam as regras que eram seguidas sem discussão, e ponto. O difícil era conseguir uma boa colheita.

A vida era árdua, a luta pela sobrevivência deixava pouco tempo para a diversão ou para o faz de conta.

Mas seria um erro pensar que o modo de vida do puritano tivesse sido totalmente isento de prazer. Eram prazeres mais simples, é claro, basicamente consistiam na sensação agradável que se tem ainda quando a vida flui serenamente, em harmonia com o meio-ambiente, entre algumas populações agrárias.

A industrialização provocou uma abundância que lentamente expandiu a visão puritana e a ciência com sua tecnologia mudou o conceito de produtividade. O trabalho manufaturado cede ao processo mecânico,

resultando, entre outras transformações, na perda dos princípios morais que antes davam sentido ao modo de vida e á ética puritana.

As reações são sempre extremistas. Hoje em dia, a ética do divertimento adotou como lema o vale-tudo. Seus adeptos olham as pessoas que se contêm como recalcadas, renegadas, porque questionam o entusiasmo e abalam a credibilidade do vale-tudo.

Da mesma forma antigamente os puritanos criticavam os que fossem dados às diversões, acusados de seguidores do demônio, a origem de todas diversões…

Mas, sem nenhuma conotação religiosa, algumas diabruras em nossas vidas, em todas as épocas fazem bem à saúde. A verdadeira diversão aumenta nossa alegria de viver. Só não vale o vale-tudo! Parcimônia e canja de legumes não fazem mal a ninguém, trocando o ditado, porque galinha faz mal aos vegetarianos.

E por isso, a infância sempre foi considerada, universalmente, como a época mais feliz da vida, embora as crianças não percebam que são felizes. Coisa que pensam os adultos, evidentemente. Aliás as crianças nem sabem o que a palavra felicidade significa. Mas o que é divertido – ou não – isso sim elas sabem. No corpo e na alma!

Os adultos costumam idealizar suas infâncias porque retrospectivamente surgem em suas lembranças como anos felizes, sem preocupações e sem os problemas que devastam a vida adulta. O que além de ser uma inverdade, como o passado e o futuro, que não existem, pois não passam de sonhos, afinal só o presente é real, as crianças também têm os seus problemas e sofrem para resolvê-los, embora sofram diferentemente de nós, que ficamos a nos lamuriar e a tirar proveito da vitimação por bem mais tempo do que elas.

Uma das razões para não termos prazer no que fazemos, é que tentamos nos divertir com coisas sérias e levamos a sério as atividades que são mera diversões. Por exemplo: o jogo de bola ou de cartas, que geralmente não traz conseqüências graves – ou pelo menos não trazia até pouco tempo atrás – deveria ser praticado só para passar o tempo. Lazer:diversão! Entretanto, as pessoas se entregam a essas atividades como se fossem um caso de vida ou morte, os que jogam e os que assistem, esperando pelos resultados. Isto sem falarmos da existência da máfia do futebol, das torcidas-gangues, do vício do jogador de cartas que perde tudo no jogo …

Não que não tenhamos que ser sérios ao jogar ou brincar. As crianças levam a sério suas brincadeiras e se divertem muito com isto.

Já nossas atitudes, por outro lado, com as atividades que realmente são sérias, como o sexo, a ingestão de drogas ou a direção de automóveis em alta velocidade, amiúde são praticadas como diversão …

Quando às escapadas são inocentes, quando não são perigosas nem destrutivas, fazem parte do mundo do adolescente e servem como uma das pontes entre a infância e a idade adulta, mas se não for este o caso, deixa de ser diversão para se transformar numa ação desesperada de fuga da realidade. As escapadelas, por mais divertidas que possam parecer, sempre acabam em dor, como todas as tentativas de fugir dos compromissos…

O comprometimento total com o que se está fazendo é um das condições básicas para o prazer, como as crianças, que se envolvem completamente com os jogos e brincadeiras.

A criatividade adulta emerge das mesmas fontes e com a mesma motivação das crianças, o desejo de prazer, a necessidade de auto-expressão, causa prazer.

Em relação a criatividade todos somos crianças. A criatividade pode se transformar em trabalho, e assim mesmo continuar a dar prazer. E se o trabalho pode ser criativo e agradável, a diversão muito mais. Os adultos se divertem plenamente quando não têm que se preocupar com os resultados e podem se envolver num clima de faz-de-conta. Vale a pena lembrar como você brincava, quando era pequeno, por certo. Pensem nisso! Namastê!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: