Publicado por: Gladis Maia | 30/01/2010

Qualquer castigo, físico ou emocional, coloca-nos contra a pessoa que o infligiu.

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Gladis Maia

Bruno Bettlheim, um dos grandes psicanalistas do século XX, sugere aos pais que antes de reagirem a uma atitude do filho que lhes desagrada lembrem-se de momentos em que se comportaram de moldo semelhante em sua própria infância, para que compreendam melhor a situação atual e ajam de modo mais adequado.

O terapeuta alerta que não chegamos muito longe gritando com uma criança. O castigo, especialmente se doloroso ou degradante, é uma experiência muito traumática. O dano imposto aos sentimentos pode ser muito mais duradouro e prejudicial do que a dor física.

O que o que as crianças aprendem com os castigos é que a “justiça” é feita por quem tem poder e, quando forem grandes e fortes o suficiente, tentarão se vingar dos castigos que lhes foram impostos.

Não raro estas crianças castigadas punem os pais agindo de maneira a desgostá-los mais adiante.

Embora cada criança reaja de forma diferente ao castigo – dependendo de sua personalidade e da relação que tem com os pais – nenhuma que foi punida escapa ao sentimento de degradação. Quanto mais amam aos seus pais, mais se sentem insultadas pela punição e desapontadas com quem aplicou a penalidade.

Bettelheim explica que a maioria de nós aprende a evitar situações que levam ao castigo, neste sentido inclusive ele produz efeito.

Mas, em contrapartida, quanto mais severo for o corretivo, mais dissimulados nos tornamos para evitá-lo. No caso da criança, antes de ser castigada, provavelmente ela era franca em suas atitudes, passando depois a escondê-las para não cair no desagrado de quem a educa.

Preleções de pouco valem, um filho raramente se convence de que alguma coisa está errada apenas por que seus pais lhe dizem que está.

A única disciplina verdadeira é a autodisciplina, que nasce do desejo de ficarmos bem aos nossos próprios olhos e consciência. A autodisciplina se fundamenta em valores internalizados, através da imitação das pessoas que amamos e queremos ser estimados ao ser como elas.

A consciência nos motiva a agir certo, porque de outra forma sofreremos a dor e a depressão de nos sentirmos mal conosco mesmos e não para evitar o castigo.

Dizer a uma criança que agiu mal – especialmente num tom irritado e de decepção – diminui seu respeito próprio e seu amor por nós .

E, não esqueçamos, de que é o desejo de ser amada que a induz a agir corretamente no presente. Mais tarde, seu amor-próprio é que a motivará a viver uma vida digna.

O psicanalista vai mais longe, quando afirma que qualquer atitude paterna/materna que tenha a intenção de ser um castigo – ainda que ameno – provoca ressentimento na criança.

Quanto mais drástico, maior a indignação! Como a criança poderá imitar ou identificar-se com alguém contra quem guarda rancor?

Qualquer castigo, por mais que se justifique aos olhos dos pais, e até mesmo dos filhos, interfere no amor que o filho devota aos pais e na aceitação dos valores que eles querem lhe transmitir

Mas e afinal, o que então os pais devem fazer – além é claro de se comportarem bem, no mínimo na frente do filho … – quando esse comporta-se mal? Bem isso é assunto para a próxima postagem, ainda à luz de Betelheim. Até lá ! Pensem nisso

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