Publicado por: Gladis Maia | 22/04/2009

A solução para a crise da educação precisa de alunos, professores, pais, tecnologia e comunidade.

 

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Gladis Maia

 

 As descobertas e inventos nem sempre resultam em inovações positivas para o mundo. Não raro, elas são usadas com fins belicosos. Quando descobriu-se o átomo, não se imaginava a bomba atômica…

 

 Até podemos comemorar cada descoberta humana, desde que suportemos as dores que poderão vir com ela, enquanto o homem não se auto-conhecer e descobrir-se com um ser do Bem.

 

A revolução da comunicação vem precipitando no planeta uma sintonia entre países, só imaginada antes em obras de literatura de ficção científica. Infelizmente, porém, não esclarece ou mostra que as prioridades políticas do século XXI são de entendimento entre as nações e seus homens.

 

A modificação na relação tempo-informação não tem conseguido  tornar os homens mais próximos nos seus ideais, nos seus sentimentos, na sua construção de mundo. 

 

Em paralelo à globalização da economia, que faz uso incessante das novas tecnologias da comunicação, a cultura da humanidade vem sofrendo um drástico empobrecimento, monitorado pelos negócios efetivados por esta via.

 

A globalização quer eliminar as diferenças aniquilando as comunidades que resistem à sua uniformização e os países periféricos pela falta de modernização tecnológica.

 

Agora gente, todo cuidado é pouco, porque muitas pessoas, como no fascismo, vão ser excluídas do mercado, sem sombras de dúvida, especialmente nos países subdesenvolvidos e nos ditos em desenvolvimento, como o Brasil…

 

E, se a globalização seguir impunemente com o seu trabalho de colonização virtual, a “raça superior dos ricos” vai ficar mais rica e os pobres mais pobres, porque a globalização acumula o capital estrangeiro do mundo inteiro nos países centrais e não no terceiro mundo.   

 

O totalitarismo de mercado, diferente do nazismo, não acaba com a raça dos negros, árabes e judeus, mas com a sua cultura, e quando acabamos com a cultura de um povo o suicidamos. Um índio, por exemplo,  não deixa de ser índio porque perdeu a sua terra, mas porque perdeu os costumes que faziam parte da sua cultura.  

  

E, diante disso, dá pra ver que a crise da educação, em especial a brasileira, não pode ser resolvida dentro das salas de aulas, nem mesmo se houver um computador e uma conexão com a Internet em cada uma delas. Até mesmo porque há escolas no Nordeste onde não se pode instalar um televisor sequer porque não há luz elétrica.

 

Portanto, ter condições de obter informação e de ser socialmente desenvolvido está ligado à distribuição de renda e não somente ao fato de obter-se tecnologia de ponta e aparelhos sofisticados de comunicação. 

 

 Não é apenas o instrumento que prolonga nossos poderes de comunicação ou de processar informações e modo correspondente ao nosso. Há que se saber lidar tecnicamente com essas informações…

 

Uma educação que prepare as crianças

para o século 21 deve combinar pelo menos cinco elementos que precisam estar presentes na Escola e na vida do educando: 

 

1º) a informática, considerarmos que muitos professores sabem menos sobre o uso de computadores que os alunos;

 

2º) a mídia não pode ser ignorada pelos educadores, nem restringir-se à presença de televisores nas salas de aula;

 

3º) os pais, pois com a velocidade da informação e os parcos salários os professores  perderam o monopólio das letras e do conhecimento. Muitos professores atualmente sabem bem menos do que os pais e outros membros da comunidade. A crise da educação não encontrará solução sem que esses pais sejam atraídos para o processo educacional. Não em visitas ocasionais à escola, mas como professores particulares, fazendo uso de seus computadores e da conexão com a Internet;

 

 4º)  a comunidade, ou melhor, os seus membros que detém conhecimento, precisam participar através de sua  inserção como mentores voluntários ou orientadores adjuntos nas escolas, sob a supervisão de professores; 

 

 5º) os professores, em vez de dispararem lições-padrão, devem ser libertados da escola-fábrica e solicitados a contribuir no re-projeto do processo educacional como um todo.

 

Não sei se concordam comigo, mas Escola que não ensina a manejar as informações e não mantém os alunos em permanente reciclagem, cria novos analfabetos.

O desafio da escola renovada, que queremos ter e esperamos ajudar a construir, implica em conseguirmos atuar na interface entre o trabalho reflexivo, crítico e a aprendizagem de uma série de linguagens e recursos.

 

Estas linguagens, juntamente com os recursos, podem habilitar nossos alunos para melhor enfrentarem os requisitos deste novo século, não apenas preparando-os para o mercado de trabalho, mas para exercerem suas cidadanias não só no futuro, mas já, desde a tenra idade. Pensem nisso! Namastê!

 

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