Publicado por: Gladis Maia | 31/01/2010

Professores em geral, e os de Educação Física em particular, devem entender bem de imagem corporal.


Gladis Maia

O início das pesquisas sobre imagem corporal datam da virada do século XX e foram realizados por neurologistas, que desejavam investigar distúrbios de percepção corporal em seus pacientes com lesões cerebrais no SNC.

Os estudos de Paul Schilder, neurologista de formação e fortemente influenciado pela Psicanálise e pela Filosofia, associam os aspectos neurofisiológicos, sociais e afetivos na formação da imagem corporal.

Segundo ele, as primeiras experiências infantis são extremamente importantes para a conexão do indivíduo com o mundo e consigo – por toda a vida – porque nesta fase estão acentuadas as experiências de sensações e exploração do próprio corpo.

Isto leva a uma compreensão de que os processos de construção da Imagem Corporal se dão nos campos da percepção e se relacionam também intimamente com as áreas  emocional e  libidinal.

Entenda-se por  libidinal o processo de captação do mundo pelo sujeito em seu aspecto de animação, de movimento, de amor e de vida. Um mundo dinâmico e relacionado às impressões mais pessoais e interiores, já que o corpo é o receptáculo de todo esse movimento.

Também as doenças e situações desfavoráveis de saúde exercem ações especiais no corpo humano, principalmente no aspecto fisiológico, que repercute diretamente na diversidade de modelos posturais, que incutem auto-percepções, que implicam em alterações da imagem corporal.

A angústia, por exemplo, é destacada por induzir um progressivo desmembramento do corpo, e influir na construção de quadros degenerativos de imagem corporal.

Até mesmo o interesse e a atenção das pessoas que nos cercam exercem muita influência na elaboração de nossa imagem corporal, as experiências e sensações obtidas por ações e reações dos outros em nossas relações sociais são parte integrante do processo de construção desta imagem.

A grande chave para darmos um passo na reflexão e ação da educação do corpo na educação, é vivenciarmos o corpo de dentro para fora, e permitirmos este caminho enquanto educadores da Dança, da Educação Física e da Pedagogia Especial, ou qualquer outra área do Conhecimento.

Enquanto o corpo for tratado como algo fora de nós, encontraremos somente valores mercadológicos, de compra e venda de corpos, tendo como referências a mídia e o consumismo da moda, que atingem os corpos diferenciados com desrespeito.

Paul Schilder  explica que é necessário um aprofundamento neste aspecto tridimensional do corpo para uma atuação profissional consciente, em especial dos profissionais da Educação – e,  com mais atenção ainda, d os que atuam na área da Educação Física Escolar sob o paradigma da Inclusão.

Todavia, lidar com as representações próprias e captar o sentido das representações das crianças e do outro para elas, remete o professor ao seu mundo interior, porque este também possui um universo de pulsões, de tendências e de desejos.

Percepções que se fazem vivas em sua maneira de lidar – ou não – com as diferenças! O profissional que tem familiaridade com as próprias sensações, que conhece o significado delas, tende a ser flexível em suas relações e reconhece com mais facilidade o espaço do outro.

Em toda ação, agimos não apenas como personalidades, mas também com nossos corpos. Nosso corpo, e com ele nossa imagem corporal, faz necessariamente parte de qualquer experiência vital.

E, em tempos de Inclusão, é necessário que a Educação Física na Escola seja também inclusiva, pois quando ela é direcionada às pessoas com NEE favorece as suas possibilidades de desenvolvimento físico, psicológico e social.

Com certeza não é fácil romper com uma Educação Física que estruturou-se a partir de idéias de um aluno padrão, corpo perfeito, rendimento e aptidão física e permitir-se o direito de ser, de existir – e de deixar ser e existir o outro – de forma real, com todas as suas diferenças e semelhanças, sem a preocupação de parecer e estar fashion, apenas acontecer em sua singularidade.

Todavia, para que essas crianças com NEE tenham a oportunidade de vivenciar estes conteúdos é de fundamental importância que os professores de EF, e os educadores em geral, tenham confiança em suas habilidades e uma forte crença de que são capazes de educar com êxito todo e qualquer aluno, seja ele: obeso, lento, extremamente ágil, cadeirante, surdo, desinteressado, desmotivado ou cego, entre outros. Reflita sobre isso! Namastê!

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